Maria Ivone Vairinho e Poetas Amigos

Maio 23 2010

Alegria e tristeza misturadas

No Vigésimo quinto Aniversário

Da APP, guardiã do relicário

Com o nome das almas veneradas.

 

E, também, das tertúlias partilhadas

Com quem já terminou o seu calvário

Que deixou, como espólio no armário,

As trovas que não foram reveladas.

 

Das ausentes, na brisa, bons momentos

Que recordam passados sentimentos

Expressos em poemas e abraços.

 

E, de noiva e viúva, a saudade

Alegra e faz chorar pela cidade

Quem sofre de doenças e cansaços.

 

Palácio das Galveias, Lisboa, 18 de Abril 2010

 

Gabriel Gonçalves

Postado por Liliana Josué

publicado por cantaresdoespirito às 00:16

Maio 20 2010

(Madalena Gomes – In Memoriam)

 

Foram mais de vinte anos, uma vida!

Que juntos trabalhámos, lado a lado.

Na missão que nos era atribuída

Quantas vezes, tão mal esclarecida

Que queria esforço reforçado.

 

Se acaso nos calhava abrandamento

Da missão que nem sempre era penosa,

Por gosto e dom, o nosso passatempo

Era o sonho e, também, qualquer evento

Como balão abrindo em bela rosa.

 

As revisões de textos, pareceres

Em alternância davam formosura

Co’as formas de eu dizer e tu dizeres

Que, talvez, fossem simples prazeres

Pra mais estimular nossa cultura.

 

Recordações que ficam, Madalena!

Das quais se apoderou a saudade

Misturando alegria com a pena.

Agora que partiste em paz amena

Pró Reino da Suprema F’licidade.

 

E sendo, desse Reino, cidadã,

Envolta de Alva Luz, em Graça Plena,

Pede a Deus, como Santa e Boa Irmã

Que a sina não me seja dura e vã

Mas esse Bem Maior d’alma serena.

 

Palácio Galveias, 18 Abril 2010

 

Gabriel Gonçalves

Postado por Liliana Josué

 

publicado por cantaresdoespirito às 23:14

Abril 08 2010

Poema subordinado ao Mote (Quadra de Izo Goldman)

 

Saudade é lava que corre

Pelo corpo, em louca freima,

E, rubra, enquanto não morre,

"Saudade é fogo que queima".

 

É fogueira em combustão

Que flameja co'a nortada;

Com ar quente do Suão

"E o vento da madrugada"

 

É beijo de amor passado

Que a voz sufoca e aceima

E no peito, calcinado,

"Atiça o fogo que teima".

 

É faúlha que, perfeita,

Sobre a cinza abandonada,

Teima em dar-lhe chama eleita,

"Em queimar... lenha queimada..."  .

 

1º prémio, Aveiro 2002

GABRIEL GONÇALVES

in (Escultor de Sonhos)

publicado por virginiabranco às 23:05

Abril 08 2010

Saudade é sentimento persistente,

Sempre além do conceito definido

Que, distante d'amor ou dum amigo,

É moinho que mói dentro da gente.

 

É um prazer e dor d'alma carente

Que faz rir e chorar olhar dorido

Que transforma o sentir no bem sentido,

Na ilusão de abraçar amor ausente.

 

É almejar Olimpo do passado,

O que, no rol da vida, foi melhor

Para mudar destino malfadado.

 

É desejar alguém que traga amor:

A realidade ou mito, o Desejado;

Um Deus que traga, enfim, o Bem Maior.

 

GABRIEL GONÇALVES

in (Escultor de Sonhos)

 

publicado por virginiabranco às 22:55

Abril 06 2010

Soneto sobre o tema "Em Setembro há Romaria)

 

 

Agora que "Em Setembro há Romaria",

Longe das vastas águas inconstantes,

Os nautas agradecem os instantes,

Em que Jesus deteve a maresia.

 

E clamam, com fervor, de noite e dia,

Ao Bom Senhor Jesus dos Navegantes

Que dê bom mar e sorte aos mareantes

E milagres de farta pescaria.

 

E quando o Senhor passa em seu andor,

Alva Aurora Divina que reluz,

Com fé se benze e reza o pescador.

 

E canta em Coro d'Anjos que traduz,

Perante o Maior Mestre e Protector,

A Graça que da terra ao Céu conduz.

 

1º Prémio, Jogos Forais da Cidade de Ílhavo, 1998

 

GABRIEL GONÇALVES

in (Escultor de Sonhos) 

publicado por virginiabranco às 19:17

Abril 06 2010

Apresta esse teu barco, ó pescador!

E lança a longa rede com destreza

E navega co'a força da certeza

De ter sorte no mar, em teu labor.

 

Melhor tempo há-de vir após a dor

De nada ter exposto sobre a mesa

Porque o mar tem tesouros, tem riqueza

Que deves descobrir com destemor.

 

Mata a fome que mata neste mundo

Quando criado foi p'ra toda a gente

Com fartura na terra e mar fecundo.

 

Recolhe a rede cheia e, pertinente,

Avança, mais além, no mar profundo

Porque mais funda é a fome que se sente.

 

 

GABRIEL GONÇALVES

in (Escultor de Sonhos)

publicado por virginiabranco às 19:08

Abril 06 2010

Parti, querendo ficar,

Em sonho de amor sem fim

Mas parti, sofrendo, assim,

Neste meu deambular:

De partir, só de lugar,

Nunca de ti ou de mim.

 

O mar é: saudade em volta

Do meu estro, nostalgia,

No vaivém da maresia

Que adormece e se revolta

Que minha alma prende e solta;

Terna e dura companhia.

 

Ilhéu, no lago da ilha,

Pouca terra, vasto mar,

Parti-me mas vou voltar:

Beijar a luz que cintila;

Beber o mel que destila;

Em teu corpo naufragar.

 

Menção Honrosa, Soc. Recreativa Artística Farense, em 1995

 

GABRIEL GONÇALVES

in (Escultor de Sonhos)

 

 

publicado por virginiabranco às 18:54

Março 30 2010

Na sineira da vida tem a gente

O sino e o coração no seu rebate:

O sino que se "sente quando bate"

E o coração que "bate quando sente".

 

O sentir e o bater soa dif'rente

E, num sopro, termina o seu debate,

Pois, cessa o coração trino de vate,

Enquanto o sino bate em tom dolente.

 

O sino que se sente, tem mais sorte

Por mais tempo durar o seu trinado

Sem ter do coração o duro corte.

 

Mas, se demais lhe pesa o triste fado,

Mais vale ao coração que tenha a morte

Do que trinar, em vão, amargurado.  

 

GABRIEL GONÇALVES

in (Escultor de Sonhos)

 

publicado por virginiabranco às 17:04

Março 30 2010

A si mesmo chamou amigo, irmão,

Por só a si se ter por companhia

E, audaz, partiu em nau da fantasia

Na demanda do reino da ilusão.

 

E navegou, consigo pela mão,

P'lo roteiro do vento que rugia

E, vencendo a procela, a nostalgia,

Desembarcou no cais da solidão.

 

E fez-se ao mar, com resto de coragem,

Por teimar ancorar, mesmo iludido,

Nas águas do seu porto de miragem.

 

Do reino da ilusão, no mar perdido,

Voltou tão velho, após longa viagem

Mas não se deu ainda por vencido.

 

GABRIEL GONÇALVES

in (Escultor de Sonhos)

 

 

publicado por virginiabranco às 16:45

Março 30 2010

Não me vês nem te vejo desde aquém,

Deste mundo vedado desse teu.

Não teremos jamais o mesmo céu

Nem afecto que foi um mal ou bem.

 

Cada qual tem a vida que lhe vem

Da estrela da galáxia, onde nasceu.

Se meu astro p'ra ti escureceu,

O teu com fraca luz está também.

 

Em mundos paralelos nós vivemos,

Olhando só as cinzas dum momento

E não fontes de luz que ainda temos.

 

P'ra ti serei somente pó no vento

Mas Deus, que sabe mais do que sabemos,

Mais que corpos, vê almas lá por dentro.

 

GABRIEL GONÇALVES

in (Escultor de Sonhos)

 

 

 

publicado por virginiabranco às 02:17

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